ANO 2009 - SETEMBRO


Transporte a granel: Itambé foi pioneira no país

GANHOS PARA TODO O SISTEMA

Há um bom tempo, falar em eficiência na indústria significa falar em logística, área na qual ganha destaque o transporte. Foi aí que o setor leiteiro nacional teve que investir muito com a abertura do mercado, no início da década de 90. Mudanças radicais afetaram produtores e indústria e levaram o setor a incorporar vantagens competitivas,estratégias de iferenciação da qualidade da matéria-prima e ganhos de eficiência na logística de coleta do leite refrigerado a granel.

Essas mudanças só foram possíveis pela introdução dos equipamentos de refrigeração nas propriedades rurais e pela adequação da frota de transporte para captação do leite nas propriedades rurais. Por isso a CCPR/Itambé tratou logo de viabilizar formas capazes de facilitar a compra dos equipamentos de refrigeração por parte dos cooperados, que ganharam com preços diferenciados, em função da qualidade do leite, e prazos alongados de pagamentos
dos investimentos realizados.

Em se tratando do transporte da matéria prima, há 12 anos a Itambé foi pioneira no Brasil na coleta granel, tendo concebido e instalado o processo simultaneamente.A prioridade era a qualidade do leite que vinha do campo e, em consequência, dos derivados colocados no mercado, já que a granelização da coleta do leite implica a melhoria da qualidade dos produtos lácteos.

A Cooperativa Agropecuária de Pompéu despontou, em setembro de 1977,como a primeira filiada do Sistema Itambé a fazer a coleta a granel e a transportar o leite em caminhões tanques isotérmicos.Não muito tempo depois, a CCPR/Itambé já podia repartir os ganhos decorrentes do planejamento logístico do transporte do leite de seus cooperados até as fábricas, fortalecendo a rede formada pela Central e suas estratégias competitivas.

Infra-estrutura

A introdução do conceito de logística no agronegócio do leite possibilitou a tomada de decisão com fortes efeitos na otimização do suprimento de laticínios, a exemplo da redução de rotas de coleta,do aumento da quantidade da carga transportada por veículo e da redução dos custos de transporte. Em termos de roteiros, no primeiro percurso do leite,o foco é sempre o motorista e o produtor,esse último com sua responsabilidade aumentada pela importância da adoção de novas tecnologias.

Por sua vez, o transportador precisa ser bem treinado para desempenhar sua atividades, entre as quais incluem-se a coleta de amostras de leite, a análise de qualidade e a medição do leite, entre outras tarefas. Seu papel é fundamental para o equilíbrio de todo o processo. Por isso,desde a implantação do Programa de Coleta a Granel, transportadores e motoristas da CCPR/Itambé passam por programas de reciclagem contínua, quando recebem, entre outras, informações técnicas sobre a coleta e a qualidade do leite.

A Itambé conta, hoje, com uma frota terceirizada de mais de 250 caminhões,com capacidade para 8 mil litros cada e um só eixo, o que facilita o acesso às propriedades rurais. Mas, além deles, existem os caminhões reboque, mais conhecidos por "Romeu e Julieta",com capacidade para transportar 20 mil litros. A capacidade do veículo de um só eixo, o "Romeu", é de 8 mil litros e é ele que pode transitar sem maiores problemas pelas estradas vicinais, de terra, para coletar o leite dos cooperados e transportá-lo até o reboque,
conhecido por "Julieta", cuja capacidade é de 12 mil litros.

O "Romeu" faz viagens em trechos mais curtos, coletando leite nas fazendas e transbordando para a "Julieta". Terminada a operação, engata-se o reboque e o conjunto vai até a plataforma de recepção,para descarregamento. Mas a Itambé não abre mão de outra exigência: nenhum caminhão com mais de cinco anos de fabricação pode ser agregado à frota de  transporte de leite a granel.

No lugar certo

A CCPR/Itambé utiliza e associa, na logística de captação do leite no seu primeiro percurso, as mais modernas tecnologias,a exemplo do geoprocessamento. O GPS dá as coordenadas de cada produtor e possibilita o conhecimento de cada ponto da malha viária a ser percorrida. Com essas informações, que alimentam programas de computador, somadas ao volume do leite a ser coletado, são estabelecidas as rotas de coleta, visando à otimização dos caminhões coletores ao menor custo, explica o gerente de Suprimento de Leite da Central,Francisco Ferreira Sobrinho.

Em campo, o papel do transportador começa quando, diariamente, ele se prepara para cumprir a rota estabelecida pela Itambé, munido do homogeneizador de leite em aço inoxidável, acidímetro para teste de alizarol, termômetro, coletor de amostras e caixa isotérmica com gelo, entre outros materiais. Cada transportador faz de duas a três rotas por dia, tendo por base procedimentos operacionais criados para garantir o desempenho de operação com toda segurança.

O trabalho do transportador só termina quando ele chega a uma das fábricas ou postos da CCPR e entrega seu caminhão limpo por fora, para que técnicos da indústria façam as análises de rotina, antes do descarregamento do leite recolhido e da limpeza e higienização dos tanques isotérmicos. Programas como esse estimulam a oferta de serviços de melhor qualidade aos cooperados e confirmam a importância da tecnologia, que, no caso da logística de transporte, dá mais certeza e eficiência à toda cadeia do leite.